The Willpower Instinct, de Kelly McGonigal

Titulo do livro em EN: The Willpower Instinct: How Self-Control Works, Why It Matters, and What You Can Do To Get More of It
Titulo do livro em PT: (não encontrado)
Nome do Autor: Kelly McGonigal
A minha pontuação: 3/5
Data da publicação: 29 de dezembro de 2011
Tempo de leitura: 33 minutos

Autocontrolo e força de vontade

A melhor forma de melhorares o teu autocontrolo é perceber como e porque é que perdes o controlo.
 
As pessoas que pensam ter a maior força de vontade são as que têm maior probabilidade de perder o controlo quando tentadas. Porquê? Porque não conseguem prever quando, onde e porque é que vão ceder.
O que é que gostavas de fazer mais, ou parar de fazer, porque sabes que dessa forma ias melhorar a tua qualidade de vida?
Qual é o hábito mais “pegajoso” na tua vida? O que gostavas de largar ou fazer menos por ser prejudicial à tua saúde, felicidade e sucesso?
Qual é o maior objetivo a longo prazo ao qual te gostavas de dedicar a fundo? Qual é o “querer” imediato que mais te pode distrair desse objetivo?
Para dizer “não” quando precisas de dizer “não”, e “sim” quando precisas de dizer “sim”, precisas de te lembrar do que realmente queres.
A tarefa principal do córtex pré-frontal moderno é influenciar o teu cérebro a fazer “a coisa mais difícil.”
 
Qualquer desafio à tua força de vontade pede que faças algo difícil, quer seja virar as costas à tentação ou não fugir de uma situação stressante. Imagina-te a enfrentares o desafio à tua própria força de vontade. Qual é a coisa mais difícil de fazer?
O que o torna tão difícil? Como te sentes quando pensas em fazer essa coisa difícil?
Algumas pessoas acham útil dar um nome à mente impulsiva, como chamar “monstro das bolachas” à parte de ti que quer sempre satisfação imediata. Dar um nome a essa parte de ti pode ajudar a reconhecer quando ela se apodera, e também ajudar a chamar o teu “eu” mais sensato para te apoiar a força de vontade.
Sem desejos ficaríamos depressivos.
Pessoas que são mais distraídas são mais propícias a ceder às tentações.
Desenvolve uma maior autoconsciência.
Percebe quando estiveres a fazer escolhas relacionadas com desafios à tua força de vontade.
Tem essa perceção cada vez mais cedo neste processo, ao reparar quais os pensamentos, sentimentos e situações que mais facilmente te fazem ser impulsivo.
O que dizes a ti mesmo que torna mais provável cederes?

Experiência

 
O teu cérebro é extraordinariamente responsivo à experiência. Pede ao teu cérebro para fazer contas todos os dias e ele vai ficar cada vez melhor a fazê-lo. Pede ao teu cérebro para se preocupar, e ele vai ficar cada vez melhor a preocupar-se. Pede-lhe para se concentrar, e ele vai ficar cada vez melhor a fazê-lo. Não só fica cada vez mais fácil para o teu cérebro fazer as coisas, como também o faz remodelar-se continuamente baseado no que lhe pedes para fazer.
Meditar faz-te melhorar as tuas capacidades de autocontrolo, incluindo atenção, foco, gestão do stress, controlo de impulsos e autoconsciência.
Pessoas que meditam regularmente tornam-se máquinas de força de vontade.
O simples ato de ficar parado é o que faz a meditação eficaz no treino à força de vontade. Aprendes a não seguir automaticamente cada impulso.
Qual é a coisa mais difícil? Imagina-te a enfrentar o desafio à tua força de vontade, e a fazer o mais difícil, O que a faz difícil?
Estamos habituados a ver tentações e problemas para além de nós mesmos: o donut perigoso, o cigarro pecaminoso, a internet tão atraente. Mas identifica o impulso interior que precisa de ser controlado. Qual o pensamento o sensação que te faz querer fazer o que quer que seja?
Da próxima vez que te sentires tentado, direciona a tua atenção para dentro de ti.
A reação através do “pausar e planear”: A reação mais útil vai ser a de abrandar, não acelerar (como acontece com a reação de “lutar ou fugir”).
Uma forma de impulsionar automaticamente a tua força de vontade: abranda a tua respiração para quatro a seis respirações por minuto.
As maiores melhorias de humor e redução de stress, advêm de doses de exercício de cinco minutos.
Qualquer coisa além do típico sedentarismo irá melhorar as tuas reservas de força de vontade.

Exercício

 
Doses mais pequenas de exercício tem mais impacto no humor do que longas sessões de exercício físico. Também não é necessário suar demasiado ou esforçares-te ao ponto da exaustão. Exercício de menos intensidade, como andar, tem efeitos mais fortes e imediatos do que exercício muito intensivo.
Ele começou a usar a passadeira todas as manhãs para melhorar a sua força de vontade e para conseguir lidar com as reuniões exaustivas e horas extra no trabalho.
Porque é que maus hábitos de sono retiram força de vontade?
Quando estás cansado, as tuas células não conseguem absorver de forma correta a glucose no teu sangue. Isto deixa-as sem “combustível”, e tu sentes-te exausto. Com o teu corpo e cérebro desesperados por energia, vais tentar compensar com doces ou cafeína.
O stress é o inimigo da força de vontade. Muitas vezes acreditamos que o stress é a única forma de conseguir fazer as coisas, e até procuramos formas de aumentar o stress.
Também usamos o stress para tentar motivar os outros, mas a longo prazo, nada desgasta mais a força de vontade que o stress.
Estar com fome ou cansado esgota força de vontade? Ou emoções como a raiva, solidão ou tristeza?
O autocontrolo está no ponto mais alto pela manhã e vai-se deteriorando ao longo do dia.

Impulsos

 
Sempre que tiveres de contrariar um impulso, filtrar distrações, pesar os teus objetivos, ou obrigar-te a fazer algo difícil, vais usar alguma da tua força de vontade.
Presta atenção ao momento em que tens o máximo da tua força de vontade e ao momento em que estiveres quase a ceder.
Guarda os desafios do tipo “eu vou”, para quando estiveres com a tua força de vontade no máximo.
Quando a tua glicemia desce, o teu cérebro vai sempre preferir pensar a curto prazo e os comportamentos impulsivos.
Empenhar-se em pequenos atos de autocontrolo – melhorar a postura, cortar nos doces, e controlar os gastos – pode aumentar a força de vontade.
Através destes exercícios à força de vontade, o cérebro habitua-se a parar antes de agir.
-Fortalecer o poder do “Não vou”: comprometer-se a não cruzar as pernas ao sentar, ou a usar a mão não-dominante para tarefas cotidianas.
-Fortalecer o poder do “Eu vou”: comprometer-se a fazer algo todos os dias
-Fortalecer a auto-monitorização: manter registo de alguma coisa à qual normalmente não se presta atenção. Podem ser os teus gastos, o que comes ou quanto tempo passas conectado à internet.

Autocontrolo

 
Se o teu objetivo é fazeres exercício mais regularmente, podes optar por fazer dez agachamentos ou dez flexões antes do teu banho matinal.
Deixar doces num sítio visível pode aumentar o autocontrolo das pessoas (se elas resistirem à tentação de forma regular).
“Apesar da exaustão que fazia parecer que as suas pernas e pés não iam cooperar, cooperaram. Sempre que ela pensava “não consigo fazer isto”, ela dizia “eu vou fazer isto”, e apenas continuava a meter um pé à frente do outro, até à linha final.”
Atletas de corridas de resistência sob condições extremas: não encontraram provas de falhas fisiológicas nos músculos; em vez disso, era o cérebro que dizia aos músculos para pararem.
O cérebro cria o sentimento avassalador de cansaço que pouco tem a ver com a capacidade dos músculos de continuar a trabalhar.

Fadiga

 
A fadiga não devia ser considerada algo físico, mas sim algo emocional ou sensitivo.
Da mesma forma que a ansiedade nos pode impedir de fazer algo perigoso, o que nós acreditamos que conseguimos fazer pode determinar o facto de desistirmos ou avançarmos.
As descobertas científicas que consideram o autocontrolo limitado, podem refletir a crença das pessoas acerca da força de vontade, mas não os verdadeiros limites físicos ou mentais que possuem.
A próxima vez que te sentires “demasiado cansado” para te controlares, desafia-te a ir além desse primeiro sentimento de fadiga.
Quando a tua força de vontade está em baixo, tenta encontrar força renovada não tua força de querer. Para o teu maior desafio à força de vontade, considera estas motivações: Que benefícios te trará ser bem-sucedido neste desafio? Quem mais via beneficiar do teu sucesso neste desafio?
“Erin percebeu que tinha de manter a calma tanto por ela como pelos seus filhos”
Percebe se existe outro “querer” que possui mais poder para ti.
Pensa na melhor forma que nos pode ajudar a suportar a versão mais exausta de nós próprios – e não contar que uma versão ideal de nós vai aparecer e salvar o dia.
Treina como um atleta inteligente, testa os teus limites e ao mesmo tempo controla-te e toma o teu tempo.

Perfeição

A exceção ao nosso desejo habitual de ser consistente. No que toca ao certo e errado, a maioria de nós não procura ser moralmente perfeito. Apenas queremos sentir-nos bem o suficiente – o que nos dá permissão para fazermos o que quisermos.
Licença moral: Quando fazes algo de bom, sentes-te bem contigo mesmo. Isto significa que ficas mais propício a confiar nos teus impulsos – o que muitas vezes significa concederes-te permissão para fazer algo errado.
Pessoas que recordam os seus atos anteriores de generosidade dão menos 60 por cento dinheiro a um pedido de caridade.
Qualquer coisa que moralizas torna-se justo para o efeito da tua “licença moral”. Se disseres a ti mesmo que és “bom” quando fazes exercício e “mau” quando não fazes, é mais provável que não vás ao ginásio amanhã se já foste hoje.
Isto de te sentires no direito é muitas vezes o motivo da nossa “queda”. Como vemos a autossatisfação como a melhor recompensa à nossa virtude, esquecemos os nossos objetivos e cedemos à tentação.
Quando te sentes como um santo, a ideia de autossatisfação não parece errada. Sentes que é o correto. Que fizeste por merecer. E se a única coisa que te motiva o autocontrolo é o desejo de ser uma boa pessoa, vais acabar por ceder quando te sentires bem contigo mesmo.
Isto faz-nos agir contra os nossos próprios interesses. Convence-nos que aquele comportamento de autossabotagem – como fumar um cigarro – é um “presente”.
Natureza humana – resistimos a regras impostas pelos outros pelo nosso próprio bem.
Quando dizes a ti mesmo que fazer exercício, poupar dinheiro ou deixar de fumar é a coisa certa a fazer – e não algo que te vai ajudar a atingir os teus objetivos – é menos provável que o faças de forma consistente.

Progresso

“À medida que ela queimava mais calorias, ela não conseguia deixar de pensar na comida que estava a fazer por merecer.”
Fazer progressos em relação a um objetivo motiva as pessoas a ter comportamentos de autossabotagem.
Ser bem-sucedido no autocontrolo tem uma consequência não pretendida: satisfaz temporariamente – e por isso silencia – o “eu” superior.
“Ele adora seminários sobre produtividade porque fazem-no sentir-se produtivo – mesmo que nada tenha sido produzido ainda.”
Focar-nos no progresso pode afastar-nos do sucesso.
O progresso pode ser motivante, e até nos pode inspirar a ter autocontrolo no futuro, mas só se olhares para as tuas ações como prova de que estás empenhado no objetivo.
Precisas de olhar para o que fizeste e chegar à conclusão de que te importas realmente com o teu objetivo, tanto que te faz querer ainda mais alcança-lo.
Pessoas às quais se pergunta “O quão empenhado te sentes no teu objetivo?” não são tentadas pelos comportamentos conflituosos.
As ações precisam de ser guiadas por “Eu fiz isto porque quis” e NÃO por “Fiz isto, boa, agora posso fazer o que realmente quero!”
Lembra-te porque é que resististe. Lembrar-te do “porquê” ajuda porque te faz mudar como te sentes acerca da recompensa da autossatisfação. Esse “presente” vai começar a parecer uma ameaça aos teus objetivos.

Indulgência

Da próxima vez que usares comportamentos corretos passados para justificar uma indulgência, para e lembra-te do “porquê”.
Quando o McDonalds adicionou opções mais saudáveis ao menu, a venda de Big Macs disparou.
A mente fica tão entusiasmada com a oportunidade de agir em direção a um objetivo, que confunde essa oportunidade com a satisfação de realmente completar esse objetivo.
Nós prevemos de forma errada que vamos ter muito mais tempo livre no futuro do que aquele que temos hoje.
Eles pediram a um grupo de pessoas para fazer uma previsão, “Quantas vezes por semana (em média) vão fazer exercício no próximo mês?”. De seguida perguntaram a outro grupo de pessoas a mesma pergunta, mas com uma premissa importante: “Num mundo ideal, quantos vezes por semana vão fazer exercício no próximo mês?”. Os dois grupos responderam a mesma coisa!

Futuro

Nós olhamos para o futuro e não conseguimos ver os desafios de hoje.
Quando queres mudar um comportamento, tenta reduzir a variabilidade do teu comportamento, não o comportamento em si.
Priva-te da recorrente muleta emocional que é pensar que amanhã vai ser diferente.
Olha para cada escolha que tomas como um compromisso com todas as escolhas futuras. Por isso, em vez de perguntares, “Será que quero comer este chocolate agora?”, pergunta, “Será que quero as consequências de comer um chocolate todas as tardes durante o próximo ano?”
Em vez de perguntares “Será que prefiro fazer isto hoje ou amanhã?”, pergunta, “Será que quero as consequências de adiar isto?”
Pessoas que pedem o prato principal mais saudável também costumas pedir bebidas, aperitivos e sobremesas mais indulgentes. Apesar do objetivo ser o de se tornar mais saudável, acabam por consumir mais calorias do que pessoas que pedem um prato principal mais comum. Investigadores da saúde chamam a isto uma espécie de auréola da saúde. Sentimo-nos tão bem ao pedir algo saudável que acabamos por não nos sentir mal ao escolher outras indulgências.

Permissão

Permissão para nos satisfazermos com algo focando-nos apenas na melhor característica dessa coisa. Palavras mágicas que te dão essa permissão como “Compra um e leva um de graça”, “Totalmente natural”, ”Magro”, ”comércio justo”, “Orgânico”.
Qualquer tipo de mudança positiva necessita que saibamos que o nosso “eu” que quer o melhor para nós é quem nós realmente somos – e o “eu” que quer viver através dos nossos valores intrínsecos. Quando soubermos disto, vamos deixar de achar que o nosso “eu” verdadeiro é o nosso lado preguiçoso, impulsivo e facilmente tentado. Vamos deixar de agir como alguém que precisa de ser “enganado”, “subornado” ou forçado a atingir os nossos objetivos, e de seguida recompensado pela mínima coisa.
Identificas-te mais com os teus impulsos e desejos, ou com os teus objetivos e valores a longo prazo?
As promessas de felicidade – não a experiência direta da felicidade – é a estratégia do cérebro para te fazer continuar a caçar, a recolher, a trabalhar, a cortejar.
Quando adicionas a gratificação instantânea da tecnologia moderna a este sistema de motivação primitiva, acabamos por ter sistemas de criação de dopamina que são quase impossíveis de desligar.
Sabes quais são os teus próprios gatilhos de dopamina?

Atenção

Presta atenção ao que te agarra a atenção. Que coisa liberta essa promessa de recompensa que te faz procurar satisfação?
O site Scent Air, um líder no que toca ao marketing da aromatização, fala de como conseguiu atrair vários visitantes a uma gelataria no rés do chão de um hotel. Com um sistema de aromatização bem posicionado, libertaram um aroma de bolachas de açúcar no topo de umas escadas e de cones de waffle na parte inferior. As pessoas que passavam pensavam estar a cheirar realmente esses doces, mas, em vez disso, estavam a inalar químicos criados para maximizar a libertação de dopamina e levar essas pessoas – e às respetivas carteiras – diretamente à gelataria.
A promessa de recompensa é tão poderosa que continuamos a perseguir coisas que não nos fazem felizes, e a consumir outras coisas que nos trazem mais aspetos negativos do que satisfação.
Se forçares o teu cérebro a reconciliar o que ele espera de uma recompensa – felicidade, êxtase, satisfação ou o fim da tristeza ou stress – com o que de facto experiencia, o teu cérebro vai acabar por se ajustar às expetativas.
Quando nos libertamos da falsa promessa de recompensa, acabamos por perceber que aquilo que pensávamos estar a oferecer felicidade era, afinal, a principal fonte da nossa angústia.
A solução não é eliminar o “querer”.

Recompensas

Separa as verdadeiras recompensas que dão significado à nossa vida, daquelas que são falsas e que nos mantêm distraídos ou viciados.
Porque é que o stress nos leva a ter desejo de certas coisas? O stress – incluindo emoções como a raiva, a tristeza, a dúvida e a ansiedade – altera o cérebro para um estado de “procura de recompensa”. Acabas por querer fazer ou consumir qualquer substância ou atividade que o teu cérebro associa à promessa de uma recompensa, e ficas convencido que essa “recompensa” é a única forma de te sentires melhor.
Ao que recorres quando te sentes ansioso, stressado ou em baixo?
Algumas estratégias funcionam mesmo: as estratégias mais eficazes para aliviar o stress são praticar exercício físico ou desporto, rezar ou ir à missa, ler, ouvir música, passar tempo com amigos e famílias, ir fazer uma massagem, ir passear ao ar livre, meditar ou fazer ioga, ou passar tempo com algum grupo criativo. (As menos eficazes são jogos de apostas, ir às compras, fumar, beber, comer, jogar videojogos, navegar na internet ou ver televisão ou filmes por mais de duas horas.)
O medo cria uma necessidade imediata de contrariar os nossos sentimentos de impotência. Vamos tentar agarrar nos nossos “cobertores de segurança”, o que nos fizer sentir seguros, fortes ou confortados.

Insucesso

Pessoas com dieta rígida sentem-se tão mal com um lapso – uma fatia de piza ou bolo – que muitas vezes consideram a dieta estragada. Em vez de minimizar o estrago ao não continuar a comer essa fatia, dizem, “Porra, já estraguei a dieta. Mais vale comer isto tudo.”
Presta especial atenção à forma com que lidas com qualquer insucesso à tua força de vontade. Criticas-te e dizes que nunca vais conseguir mudar? Usas esse lapso como desculpa a indulgências posteriores?
A autocrítica é constantemente associada à falta de motivação e a um autocontrolo pior.
Surpreendentemente, é o perdão, não a culpa, que aumenta o sentimento de responsabilidade. Investigadores afirmam que tomar um ponto de vista de compaixão para contigo mesmo em algum insucesso pessoal faz com que seja mais provável responsabilizares-te por esse insucesso.
É quando estamos mais no fundo que a probabilidade de mudarmos aumenta: Impor uma resolução dá uma sensação imediata de alívio e controlo. Não precisamos de acreditar que somos a pessoa que cometeu o erro; podemos tornar-nos uma pessoa completamente diferente. Prometer mudar enche-nos de esperança. Adoramos imaginar como a nossa vida se vai transformar quando essa mudança acontecer, e criamos uma fantasia da pessoa que nos vamos tornar com essa mudança.
A decisão de mudar é a derradeira satisfação imediata – temos todas as sensações agradáveis antes sequer de termos mudado.
Nunca foi uma estratégia para mudar, mas sim uma estratégia para nos sentirmos melhor.

Mudança

Prometer mudar é, para a maioria das pessoas, a melhor parte do processo de mudança. É sempre a descer a partir daí.
Prever como e quando nos vamos sentir tentados a quebrar essa promessa aumenta a probabilidade de manteres essa promessa.
Pergunta a ti próprio: Em que momento me vou sentir tentado? Quando é que me vou distrair do meu objetivo? Em que ocasião é que vou dizer a mim mesmo que tenho permissão para procrastinar? Quando tens este tipo de perguntas em mente, imagina-te nessas situações, o que que poderás sentir ou pensar. Permite-te ver como é que se desenrola o típico insucesso da tua força de vontade. De seguida transforma esse insucesso imaginário num sucesso da tua força de vontade. Considera as ações às quais te podes empenhar para te agarrares às tuas promessas.
Nós humanos possuímos todo o tipo de truques para nos convencer a nós próprios que amanhã é que é o dia de resistir às tentações.
Adia a recompensa – quanto mais tempo tiveres de esperar por ela, menos valiosa é para ti.
Adiar a recompensa explica o porquê de escolhermos satisfação imediata às custas de felicidade futura.

Recompensas futuras

Pergunta a ti mesmo que recompensas futuras metes “em saldos” de cada vez que cedes a tentações ou à procrastinação. Qual é o pagamento imediato de cederes? Qual o custo a longo prazo? Será uma troca justa?
Recompensas imediatas ativam o desejo através da dopamina. Recompensas futuras adiam a gratificação, o córtex pré-frontal tem de “acalmar” a promessa de recompensa.
Ao distanciares-te das tentações, o poder do equilíbrio volta ao sistema de autocontrolo do cérebro.
Quando a gratificação imediata vem acompanhada de um adiamento obrigatório de dez minutos, o cérebro considera-a uma recompensa futura.
Para um cérebro mais calmo e perspicaz, impõe a ti próprio um adiamento de dez minutos em qualquer tentação.
Para te ajudar a ultrapassar o desejo de procrastinação, altera a regra para “Faz durante dez minutos, e podes parar depois.” Quando passarem os dez minutos, dá permissão a ti mesmo para parares.
 
Quando te sentes tentado a agir contra os teus interesses a longo prazo, considera que isso pode significar trocar a melhor recompensa possível a longo prazo, por causa de gratificação imediata.
Imagina que a recompensa a longo prazo já é tua. Imagina o teu futuro “eu” a saborear os frutos do teu autocontrolo.
Depois pergunta a ti próprio: estás disposto a abdicar disso por uma efémera tentação do presente?

O eu futuro

Cortés incendiou aqueles navios para garantir que os seus homens não agiam de acordo com o medo. A única hipótese é seguir em frente. Compromisso prévio.
(pensas:) O teu “eu” futuro tem mais tempo, mais energia e mais força de vontade que o teu “eu” do presente.
Nós pensamos nos nossos futuros “eu” como pessoas diferentes. Muitas vezes idealizamos quem vamos ser no futuro, e que esse “eu” vai ser capaz das coisas que não conseguimos fazer agora.
Será que angariadores de fundos podiam explorar este conceito ao pedir que as pessoas abdicassem do dinheiro desse “eu” futuro em vez de darem dinheiro no presente?
Fazer os estudantes conhecer quem vão ser no futuro fez com que ficassem mais motivados a investir nesses “eu” futuros – e, por extensão, neles próprios no presente.
Pensa no que o teu futuro “eu” vai estar a fazer, e como se vai sentir acerca das escolhas que estás a fazer agora.
Tens dificuldade em fazer uma pausa no trabalho por haver sempre mais trabalho a fazer? Sentes-te tão ansioso ou culpado em gastar dinheiro que se torna difícil comprar mais que o necessário? Costumas olhar para trás e considerar quanto tempo e dinheiro gastaste, e desejar ter sido mais focado na tua felicidade do momento, em vez de a adiares? Se sim, pega nas experiências de força de vontade deste capítulo e transforma-as em estratégias de gratificação.
“o cadete fisicamente menos apto num esquadrão reduziu gradualmente o nível de aptidão física dos outros cadetes.”
Comportamentos que consideramos estar relacionados com autocontrolo, estão, de forma importante, relacionadas com o controlo social também.
Acorrentar a bicicleta a uma grade junto a um sinal de “proibidas bicicletas”, deixar o carrinho de compras perdido num estacionamento de um supermercado que tem uma política de “devolver o carrinho à loja”. Estudos mostram que quebrar as regras é contagioso. Pessoas que encontravam estes cenários, faziam de acordo com o que as pessoas tinham feito, em vez de olharem para os sinais de aviso. Faziam exatamente como encontravam, acorrentavam as bicicletas e deixavam os carrinhos de compras soltos. Mas as consequências vão mais longe que isto. Quando as pessoas viam as bicicletas acorrentadas a um sítio proibido, para além de acorrentarem a própria, também saltavam mais vezes por cima da grade e quando viam os carrinhos de compras soltos, para além de deixarem o seu, também mandavam mais vezes lixo para o chão do estacionamento.

Modelos

Há alguém que pode servir de modelo de força de vontade para o desafio que enfrentas? Alguém que passou pelo mesmo e teve sucesso, ou alguém que demonstra o mesmo tipo de autocontrolo que gostavas de ter?
Suprimir pensamentos não funciona.
Quando tentas afastar um pensamento, mas ele volta sempre, é mais provável que acredites que seja verdade.
Como é fácil recordar acidentes de avião que aconteceram, tendemos a achar mais provável que um acidente de avião nos aconteça também.
Uma aluna transtornada que não conseguia para de pensar em suicídio. Um pensamento passageiro acabou por ficar alojado no seu cérebro, que a fez ficar convencida que ela queria realmente, matar-se. Senão, porque haveria esse pensamento de continuar sucessivamente a surgir?
Permissão para ter um certo pensamento reduz a probabilidade de o pensar.
Quanto mais tentares suprimir pensamentos negativos, é mais provável que fiques deprimido.
Quando as pessoas tentam afastar pensamentos de autocrítica (“Sou um falhado,” “Toda a gente pensa que sou estúpido”), deterioram a própria autoestima e humor.
Pessoas que tentam suprimir o medo antes de dar um discurso público sentem-se ainda mais ansiosas, e com o ritmo cardíaco mais elevado.
Sente o que sentes, mas não acredites em tudo o que pensares.
Proibir algum tipo de comida aumenta automaticamente o teu desejo dessa comida.
Tenta aplicar este conselho aos teus desejos mais fortes, sejam eles chocolate, cappuccinos, ou verificar o teu email.

Tentação

Repara quando estiveres a pensar em alguma tentação.
Aceita esse pensamento ou sensação sem tentares imediatamente distraíres-te dele.
Toma um passo atrás e percebe que nem sempre tens controlo sobre os teus pensamentos e emoções, mas que podes escolher agir ou não de acordo com eles.
Recorda o teu objetivo. Relembra-te de qualquer quer que seja o teu compromisso.
Faz “surf” na vontade: quando essa vontade se apodera, pausa por um momento para sentires o teu corpo. O que te faz sentir? É quente, fria? Sentes tensão em alguma parte do teu corpo? O que acontece com o teu ritmo cardíaco, a tua respiração ou a tua barriga? Envolve-te nessas sensações pelo menos por um minuto. “Surfar” a vontade não funciona apenas para vícios; também te pode ajudar a lidar com qualquer impulso destrutivo.

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