Digital Minimalism:

Choosing a Focused Life in a Noisy World

Escrito por Cal Newport

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Eles fizeram download das apps e criaram contas por boas razões, apenas para descobrir, com ironia cruel, que estes serviços estavam a começar a destruir os valores que as tinham feito apelativas em primeiro lugar: eles juntaram-se ao Facebook para ficarem em contacto com amigos pelo país fora e depois acabaram por não conseguir manter uma conversa sem interrupções com o amigo sentado no outro lado da mesa

A chave para prosperar no nosso mundo de alta tecnologia, aprenderam eles, é passar muito menos tempo a usar tecnologia.

Os magnatas das redes sociais têm de parar de fingir que são deuses amigáveis e cromos a construírem um mundo melhor e admitir que são apenas agricultores de tabaco vestidos em T-shirts a venderem um produto viciante a crianças. Porque, vamos ser realistas, verificar os teus “likes” é o novo fumar.

Vício é um estado no qual uma pessoa se envolve no uso de uma substância ou num comportamento no qual a recompensa dá um incentivo atraente para repetir o comportamento apesar das consequências prejudiciais.

O símbolo de notificação original do Facebook era azul, para combinar com a palete de cores do resto do site, “mas ninguém o usava.” Por isso mudaram a cor para vermelho —uma cor de alarme — e os clicks subiram bastante.

Minimalismo Digital:

Uma filosofia de uso de tecnologia no qual concentras o teu tempo online num pequeno número de atividades cuidadosamente selecionadas e otimizadas que apoiam fortemente coisas que valorizes e depois ignoras tudo o resto alegremente.

Minimalistas não se importam de ignorar as coisas pequenas; o que os preocupa muito mais é depreciar as grandes coisas que eles já sabem que de certeza fazem uma vida boa, boa.

O utilizador de Facebook comum, em contraste, usa os produtos da empresa um pouco mais de cinquenta minutos por dia.

Princípios

Princípio #1: Atafulhar custa. Minimalistas digitais reconhecem que atafulharem o seu tempo e atenção com demasiados aparelhos, apps e serviços cria um custo negativo geral que pode sufocar os pequenos benefícios que cada item individual fornece quando sozinho.

Principio #2: Otimização é importante. Minimalistas digitais acreditam que decidir que uma tecnologia em particular apoia algo que eles valorizam é apenas o primeiro passo. Para verdadeiramente extrair o seu benefício potencial total, é necessário pensar cuidadosamente sobre como é que irão usar a tecnologia.

Principio #3: Intencionalidade é satisfatória. Minimalistas digitais derivam uma satisfação significante do seu compromisso geral de serem mais intencionais sobre como interagem com novas tecnologias. Esta fonte de satisfação é independente das decisões específicas que fazem e é uma das maiores razões pelo qual o minimalismo tende a ser imensamente significativo para os seus praticantes.

“O custo de algo é a quantidade do que vou chamar de vida que é necessária ser trocada por esse algo, imediatamente e a longo prazo.”

Frequentemente, o custo cumulativo das coisas não cruciais com que atafulhamos as nossas vidas podem em muito superar os pequenos benefícios que cada aparelho individual de atafulhamento promete.

O Processo de Desatafulhamento Digital Põe de lado um período de trinta dias no qual irás fazer uma pausa das tecnologias opcionais na tua vida. Durante esta pausa de trinta dias, explora e redescobre atividades e comportamentos que achas satisfatórios e significativos. No fim da pausa, reintroduz tecnologias opcionais na tua vida, começando uma página em branco. Por cada tecnologia que reintroduzas, determina o valor que tem na tua vida e como é que a vais usar especificamente, de forma a que maximizes este valor.

 

PASSO#1: DEFINE AS TUAS REGRAS QUANTO À TECNOLOGIA

O primeiro passo do processo de desatafulhamento, então, é definir quais tecnologias é que caem nesta categoria “opcional”. A minha heurística geral é a seguinte: considerar a tecnologia opcional a não ser que a sua remoção temporária prejudicasse ou perturbasse significativamente a operação diária da tua vida pessoal ou profissional. Não confundas, no entanto, “conveniente” com “crítico.” É incoveniente perder acesso a um grupo de Facebook que anuncia eventos no campus, mas num período de trinta dias, esta falta de informação não causará qualquer dano crítico à tua vida social, e poderá expor-te a usos alternativos do teu tempo interessantes.

PASSO#2: FAZ UMA PAUSA DE TRINTA DIAS

Durante este processo de um mês, deves explorar agressivamente atividades de melhor qualidade para preencher o tempo que é deixado vazio pelas tecnologias opcionais que andas a evitar. Este período deve ser de atividade extenuante e de experimentação.

PASSO#3: REINTRODUZ TECNOLOGIA

O objetivo deste passo final é começar uma folha em branco e deixar entrar de novo na tua vida tecnologia que passe os teus padrões rigorosos de minimalismo.

Para permitir que uma tecnologia opcional volte para a tua vida no final do desatafulhamento digital, deve:

● Servir algo que valorizes profundamente (Oferecer algum benefício não é suficiente).

● Ser a melhor maneira de usar tecnologia para servir este valor (se não é, substitui-a com algo melhor).

● Ter uma função na tua vida que é limitada por um procedimento de operação padrão que especifica quando e como a podes usar.

 

A Rebecca transformou a sua experiência diária ao comprar um relógio. Isto pode soar banal para leitores mais velhos, mas para alguém com dezanove anos como a Rebecca, isto foi um ato intencional. “Eu estimo que á volta de 75 porcento do tempo que desperdicei a não ser produtiva foi devido a eu pegar no meu telemóvel para ver as horas.”

O smartphone forneceu uma nova técnica para nos livrarmos destes últimos grãos de solidão: o olhadela rápida. Ao mínimo sinal de aborrecimento, podes agora sorrateiramente olhar para qualquer número de apps ou websites adaptados para mobile que foram otimizados para te fornecer uma dose imediata e satisfatória de afirmações vindas de outras mentes.

Privação de Solidão: Um estado em que gastas quase zero tempo sozinho com os teus próprios pensamentos e livre de afirmações de outras mentes

Como já aprendi ao interagir com os meus leitores, muitos começaram a aceitar um zumbido de baixa intensidade que permeia as suas vidas diárias.

Nós precisamos de solidão para prosperar como seres humanos e nestes últimos anos, sem sequer nos aperceber, temos vindo sistematicamente a reduzir este ingrediente crucial das nossas vidas.

Os humanos não são programados para estarem constantemente ligados. O que Thoreau procurou na sua experiência em Walden foi a habilidade de andar para a frente e para trás entre um estado de solidão e um estado de ligação.

PRATICA: DEIXAR O TELEMÓVEL EM CASA

Durante 90 porcento da tua vida diária, a presença de um telemóvel ou não importa ou faz as coisas serem apenas um pouco mais convenientes. São úteis, mas é hiperbólico acreditar que a sua presença constante é vital.

PRATICA: DAR LONGOS PASSEIOS

“Apenas pensamentos alcançados durante o caminhar têm valor.” Para realçar o seu gosto por caminhar, Nietzsche também afirma: “A vida sedentária é o pecado contra o Espírito Santo.” Dá estes passeios sozinho, o que não significa apenas por ti próprio, mas também, se possível, sem o telemóvel. Se estiveres a usar auscultadores, a monitorizar uma cadeia de mensagens de texto, ou, Deus proíba, a narrar o passeio no Instagram — não estás verdadeiramente a passear, e portanto não vais usufruir dos maiores benefícios desta prática.

PRATICA: ESCREVE CARTAS A TI PRÓPRIO

Esta prática pede que adotes esta estratégia bem validada ao colocares tempo de lado para escreveres uma carta a ti próprio quando enfrentares circunstâncias exigentes ou incertas. Holly Shakya identificou um provável suspeito para este fator: quanto mais usares as redes sociais para interagires com a tua rede de contactos, menos tempo dedicas à comunicação offline. A filosofia de comunicação com base em conversa assume uma posição mais dura. Argumenta que conversar é a unica forma de interação que em algum sentido conta para manter uma relação. Qualquer coisa textual ou não interativa — basicamente, todas as redes sociais, email, mensagens e mensagens instantâneas — não contam como conversas e devem ser categorizadas então como meras conexões. Se adotares comunicação com base em conversa, irás provavelmente ainda depender de serviços de mensagem para simplificar o recolhimento de informação, ou para coordenar eventos sociais, ou para colocar questões rápidas, mas não irás mais participar em conversas abertas em mensagens ao longo do teu dia. A socialização que conta é conversa real e mensagens não são uma alternativa boa o suficiente

PRATICA: NÃO CARREGUES EM “LIKE”

Vale a pena referir que recusar usar icons de redes sociais e comentários para interagir significa que algumas pessoas inevitavelmente vão sair da tua órbita social — em particular, aquelas cuja relação contigo apenas existe através de redes sociais. Aqui fica o meu conforto: deixa-os ir.

PRATICA: CONSOLIDAR MENSAGENS

Quando os teus amigos e família conseguem começar pseudo conversas contigo por mensagem a qualquer altura, é fácil para eles se tornarem complacentes no que toca à relação.

PRATICA: TER CONVERSAS DURANTE O HORÁRIO DE ESCRITÓRIO

Põe de lado tempo definido em dias definidos durante os quais estás sempre disponível para conversar. Dependendo de onde estiveres durante este período, estas conversas podem ser exclusivamente ao telemóvel ou também podem incluir encontros em pessoa. Quando alguém iniciar uma conexão de baixa qualidade(digamos, uma conversa por mensagem ou um ping numa rede social), sugere que te liguem ou se encontrem contigo durante as tuas horas de escritório quando for conveniente para eles.

RECLAMA O LAZER

Eu chamo a estas atividades alegres de lazer de alta qualidade.

Quanto mais eu estudo este tópico, mais claro se torna para mim que distrações digitais de baixa qualidade têm uma função mais importante nas vidas das pessoas do que elas imaginam. Nos últimos anos, conforme a barreira entre trabalho e vida se desmorona, os trabalhos tornam-se mais exigentes e tradições de comunidade degradam-se, cada vez mais as pessoas falham em cultivar as vidas de lazer de alta qualidade que Aristóteles identifica como cruciais para a felicidade humana.

Noutras palavras, Harris sentiu-se desconfortável, não porque desejava um hábito digital em particular, mas porque ele não sabia o que fazer consigo próprio assim que o seu acesso geral ao mundo de ecrãs conectados foi removido.

A busca por bom lazer, pelos cálculos de Bennett, deve necessitar de mais “esforço mental” para ser desfrutado (ele recomenda poesia difícil). Uma das principais coisas que o homem típico tem de aprender é que as faculdades mentais são capazes de atividade contínua difícil; elas não se cansam como um braço ou uma perna. Tudo o que elas querem é mudança — não descanso, excepto durante o sono. Podemos dizer a nós próprios que não há melhor recompensa após um dia difícil no escritório do que ter um fim de dia completamente vazio de planos ou obrigações. Mas depois apercebêmo-nos de que, após várias horas de olharmos e carregarmos num ecrã, de alguma forma estamos mais cansados do que quando começamos.

Lição de Lazer #1:

Prioritiza atividades exigentes sobre o consumo passivo. O meu argumento principal é que trabalho manual é uma boa fonte de lazer de alta qualidade.

Lição de Lazer #2:

Usa habilidades para produzir coisas de valor no mundo fisico. As pessoas têm mais vontade do que nunca de jogarem Scrabble com vizinhos, ou falarem mal de colegas de trabalho durante um jogo de poker, ou de fazerem fila no frio de Toronto para terem mesa no Snakes & Lattes. Jogar jogos também dá permissão para o que podemos chamar de socialização sobrecarregada — interações de maior nível de intensidade do que é comum em sociedade.

Lição de Lazer #3:

Procura atividades que requerem interações sociais estruturadas no mundo real.

 

PRATICA: ARRANJA OU CONSTROI ALGO TODAS AS SEMANAS

Mudar o óleo do teu próprio carro, instalar um novo candeeiro no teto, aprender os básicos de uma nova técnica de um instrumento que já toques (e.x, um guitarrista aprender Travis picking). Perceber como calibrar de forma precisa o braço no teu gira discos. Construir uma cabeceira a partir de madeira de alta qualidade. Começar um jardim.

Todas as pessoas modernas que fazem reparações e com que falei recomendam a mesma fonte de lições rápidas sobre como fazer qualquer coisa: Youtube. A minha sugestão é que tentes aprender e aplicar uma nova habilidade todas as semanas, durante um período de seis semanas. Começa com projetos fáceis como os que foram sugeridos acima, mas assim que te deixares de sentir desafiado, aumenta a dificuldade das habilidades e dos passos envolvidos.

PRATICA: PROGRAMA O TEU LAZER DE BAIXA QUALIDADE

Noutras palavras, não podes construir um império de mil milhões de dólares como o Facebook se estiveres a gastar horas todos os dias a usar um serviço como o Facebook. A premissa deste capítulo é que ao cultivar uma vida de lazer de alta qualidade primeiro, irá tornar-se mais fácil minimizar distrações digitais de baixa qualidade mais tarde. Descobre os períodos de tempo específicos durante os quais navegas a internet, vais às redes sociais e vês transmissões de entretenimento. Quando chegares a estes períodos, podes fazer qualquer coisa. Se quiseres fazer uma maratona de episódios na Netflix enquanto te transmites a ti próprio a navegar no Twitter: força. Mas fora destes períodos, fica offline. Programa antecipadamente o tempo que gastas em lazer de baixa qualidade.

PRATICA: JUNTA-TE A ALGO

Poucos conseguem imitar a energia que Franklin investiu no seu lazer social, mas todos nós podemos extrair uma lição importante da sua abordagem no que toca a cultivar uma vida de lazer gratificante: junta-te a coisas.

PRATICA: SEGUE PLANOS DE LAZER

Eu sugiro que cries uma estratégia para esta parte da tua vida, com uma abordagem de dois niveis que consista de um plano semanal e num plano sazonal. Se já tiveres o hábito de criar planos detalhados para a tua semana (que recomendo bastante), podes simplesmente integrar o teu plano de lazer semanal no sistema que já usas para executar o planeamento. Eu quero realçar o argumento fundamental apresentado neste capítulo: não fazer nada é sobrestimado.

PRATICA: APAGAR AS REDES SOCIAIS DO TEU TELEMÓVEL

PRATICA: USAR AS REDES SOCIAIS COMO UM PROFISSIONAL

PRATICA: EMBURRECER O TEU SMARTPHONE

Agora também há uma solução para este cenário: o telefone burro. Estes produtos, que incluem, notavelmente, um querido da comunidade Kickstarter chamado Light Phone, que não substitui o teu smartphone existente, mas em vez disso, torna-o mais simples.

 

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