The Way of Zen, de Allen W. Watts

Título em inglês: The Way of Zen
Título em português: (não encontrado)
Nome do Autor: Allen W. Watts
A minha pontuação: 5/5
Data de publicação: 1957

Tempo de leitura: 13 minutos

Prefácio

Escrever sobre Zen é difícil visto que muitos “observadores objetivos” “não percebem o essencial e comem o menu em vez do jantar”.

A Filosofia dos Tao

Uma forma de libertação não pode ter definição positiva, tem de ser definida por aquilo que não é, como um escultor revela a imagem ao lascar o que a imagem não é. (David quote)

Taoísmo e Zen confundem os ocidentais porque nós pensamos em conhecimento “convencional”, o que podemos definir com palavras. Conhecimento convencional é assim porque se baseia no acordo social quanto aos códigos de comunicação.

Convenção científica diz se uma enguia é uma cobra ou um peixe. Convenção gramatical determina as regras da língua. Mas essas convenções são ilusórias, como evidenciado ao perguntar perguntas como “o que é que acontece ao meu punho quando abro a minha mão?” Quem pensa em Chinês tem pouca dificuldade em ver que objetos são também acontecimentos, mas no ocidente, isso é difícil para nós.

Nós definimo-nos por aquilo que fizemos, o que somos parece fugaz, intangível. Mas aquilo que fizemos é fixo e final.

Música oriental é ensinada num estilo diferente, onde o estudante aprende ao ouvir a performance do seu professor em vez de ler notas. Eles ganham uma habilidade de sentir a música que só consegue ser rivalizada por músicos de jazz.

Confucionismo preocupa-se com as leis da vida e conhecimento convencional. Taoísmo preocupa-se com conhecimento não convencional e em perceber a vida diretamente.

Nós “sabemos” como mexer as nossas mãos, respirar, mas não conseguimos explicar como o fazemos. Taoísmo é uma extensão deste tipo de conhecimento, o que nos dá uma visão muito diferente do que aquilo a que estamos convencionalmente habituados e que liberta as nossas mentes de definições e identificações limitadas.

O Tao é o indefinível, o “processo” concreto do mundo, o Caminho da vida. A palavra significa um caminho ou estrada e às vezes “falar”.

Deus produz o mundo ao fazer (wei) mas Tao produz o mundo ao não fazer (wu-wei), que é mais ou menos o que queremos dizer com “crescer”. Coisas são feitas como máquinas ao serem construídas por peças ou de fora para dentro como esculturas, mas coisas que crescem dividem-se a elas próprias em partes de dentro para fora (jardim).

O objetivo não é reduzir a mente humana a um vazio, mas trazer a jogo a sua inteligência espontânea e inata ao usá-la sem o forçar.

Wu-shin:i Sem-mente, sem auto consciência, é o objetivo do Taoísmo. O Taoísta é alguém que aprendeu a deixar as pernas caminharem por elas próprias.

As Origens do Budismo

Todas as formas de Budismo subscrevem ao “caminho do meio” entre extremos de anjos (deva) e demónios (preta), ascético e sensualista e afirmam que o “despertar” supremo ou o ato de se tornarem num Buddha pode ser obtido apenas no estado humano.

Fundamental para o pensamento Indiano é o tema mitológico de atma-yanja, o ato de “auto- sacrifício” pelo qual Deus dá à luz o mundo e pelo qual os homens, seguindo um padrão divino, reintegram-se com Deus.

A filosofia Indiana preocupa-se principalmente com moksha, ou “libertação.” Libertação é um desemaranhamento progressivo do nosso ser de qualquer identificação. É para perceber que nós não somos este corpo, estes sentimentos, estes pensamentos, esta consciência.

Classificação é maya. O mundo de factos e eventos são maya, são termos de medida em vez de realidades da natureza. A doutrina maya diz-nos que estas formas (rupa) não têm “ser próprio” ou “natureza própria” (svabhava): elas não existem por si próprias, mas sim em relação umas às outras, como um sólido não pode ser distinguido exceto em relação ao espaço.

Nomes são úteis, mas não podemos confundir a medida com o mundo que está a ser medido, de identificar dinheiro com riqueza, convenção fixa com realidade fluída.

A doutrina maya aponta a impossibilidade de compreender o mundo na rede de palavras e conceitos da mente e em segundo lugar, o caráter fluído dessas mesmas formas que pensamentos tentam definir. O mundo de factos e nomes é conhecido como nama, nomes abstratos rupa.

As Quatro Verdades Nobres:

Primeira Verdade: A vida como a vivemos normalmente é sofrimento, é atormentada pela frustração que vem com o tentar o impossível. Também podes dizer que a vida é frustração, não sofrimento. A realidade não é permanente nem impermanente, não pode ser categorizada. Mas quando nos tentamos agarrar a ela, mudança é aparente em todo o lado, tal como a tua sombra, quanto mais rápido a perseguires mais rápido ela escapa.

Segunda Verdade: A causa da frustração, trishna, é uma desconfiança sobre quem está em controlo. Podes tentar controlar tudo, mas eventualmente também terás que te controlar a ti próprio. O padrão da vida que segue esta compreensão frustrante é samsara, a roda da vida e da morte. Karma afeta os resultados deste ciclo. Pode ser considerado literalmente como vida e morte, mas também pode ser interpretado como momento a momento, para que renasçamos desde que nos identifiquemos com um ego contínuo que se reencarna a si próprio de novo a cada momento no tempo.

Terceira Verdade: O fim da auto frustração e de todo o ciclo kármico é chamado Nirvana. Pode ser descrito como tornar-se em alguém que viu a futilidade de tentar segurar a respiração ou vida indefinidamente, por isso nirvana é o equivalente a moksha, ou libertação.

Quarta Verdade: O caminho óctuplo do Dharma de Buddha, o método ou doutrina através da qual auto frustração chega a um fim.
Visão Completa
Compreensão Completa
Discurso Completo
Ação Completa
Vocação Completa
Aplicação Completa
Recolhimento Completo

Contemplação Completa

Se meditação é tratada como um exercício com um objetivo, sossegar as nossas mentes, deixa de ser meditação. Onde há propósito, há a busca e o alcançar por resultados, e, portanto, não pode haver meditação.

Dhyana: pode ser descrito como o estado de consciência unificada ou de uma ponta.

Budismo Mahayana

Budismo Mahayana destaca a futilidade de lutar por libertação na qual não há luta: é auto-contraditório. Desejar não desejar.

O verdadeiro nirvana não pode ser desejado porque não pode ser imaginado.

Para te tornares um Buddha, é apenas necessário ter fé de que já és um Buddha.

A Ascensão e Desenvolvimento do Zen

Zen sempre deu importância a expressar o Budismo em termos seculares, em arte de qualquer tipo, em trabalho manual e com apreciação pelo universo natural.

Nirvana não pode ser abordado ou agarrado ou procurado. Tem de ser percebido num instante, um único flash de conhecimento, que é satori.

A tentativa de trabalhar a nossa mente é um ciclo vicioso. Tentar purificá-la é ser contaminado com pureza.

O problema Zen, ou koan, requere passar uma série de testes baseados no mondo ou anedotas de velhos mestres. Os estudantes têm que mostrar que viveram o significado do koan com uma demonstração específica e normalmente não verbal que têm de descobrir de forma intuitiva.

Bushido, o Tao do guerreiro, é a aplicação do Zen à arte da guerra.

Não há um grande foco no za-zen, ou em meditação sentada, é geralmente criticado, mas não é claro o porquê. Poderá ser porque não gostaram de za-zen por um motivo, a procura do satori. Obras argumentam que o sentar não deve ser tratado de forma especial, que o fazer é um “apego à forma”. Zen era mais praticado durante a cerimónia de chá, com flautas a tocar, pintura de pincel, tiro com arco, esgrima e ju-jutsu. Za-zen pode ter sido exagerado mais tarde como uma maneira de fazer rapazes da escola ficarem calados.

Vazia e Maravilhosa

Devemos começar a ter o sentimento de relatividade (zen), ao saber que a vida não é uma situação na qual existe alguma coisa que possa ser agarrada ou ganha. Ter sucesso é falhar sempre, no sentido em que quanto mais alguém tem sucesso em alguma coisa, maior é a necessidade de continuar a ter sucesso. Comer é sobreviver para ter fome.

Não há um “eu próprio” a não ser a mente corpo que dá estrutura à minha experiência.

Nunca há nada sem ser o presente, e se não conseguimos viver nele, não conseguimos viver em lado nenhum.

Sentar Quieto, Sem Fazer Nada

“Ao andar, apenas ande. Ao sentar, apenas sente-se. Acima de tudo, não oscile.”

Quando um humano é tão auto-consciente, tão auto-controlado que não se consegue libertar, ele hesita e oscila entre opostos.

O esforço de permanecer sempre “bem” ou “feliz” é como tentar manter uma casa a 20 graus perfeitos. Precisa de oscilações rápidas tão constantes que irá certamente induzir loucura e ansiedade.

Espiritualidade Zen não é pensar sobre Deus enquanto descascas as batatas, é simplesmente descascar as batatas.

Za-Zen e o Koan

A prática de Zen não é prática verdadeira se tiver um fim em mente, e quando não tem um fim à vista é o acordar da vida sem destino e auto-suficiente do agora eterno. Ter um olho em algum fim é ter falta de concentração, falta de sinceridade. Nós não praticamos Zen para nos tornarmos num Buddha, mas sim porque somos um Buddha.

Satori não é um despertar súbito e completo, é a maneira súbita e intuitiva de olhar para o que está dentro de qualquer coisa, quer seja relembrar um nome esquecido ou ver o que está por dentro dos princípios mais profundos do Budismo.

O koan é uma maneira de stressar a mente para que tenha de relaxar e libertar-se a ela própria. Como aumentar a tensão muscular para dares a ti próprio uma sensação daquilo que não deves fazer. O satori não é uma sensação de relaxamento, mas sim a sensação de libertar e não o sentir.

Zen nas Artes

Zen não tem objetivo, é viajar sem nenhuma intenção, sem destino. Viajar é viver, mas chegar é morrer. Um mundo que se foca nas destinações, cujo único interesse é em chegar a algum lado o mais rápido possível, torna-se num mundo sem substância.

Zen é uma libertação do tempo. Se abrirmos os nossos olhos e virmos claramente, torna-se óbvio que não existe outro tempo sem ser este instante e que o passado e o futuro são abstrações sem qualquer realidade concreta.

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