Conversas Vadias Episódio 4 – Agostinho da Silva com Isabel Barreno

Data da publicação: 29 de março de 1990

Tempo de leitura: 3 minutos

Estou a ver se o meu telefone só fala para fora.

Não gosto de ser interrompido quando não estou a trabalhar.

O telefone é uma boa máquina para dizer se sim ou não é para marcar alguma coisa – não para o resto.

De uma maneira geral, todas as ideias futuras são utópicas.

Não quero ter nenhum conflito com Portugal porque lhe tenho uma grande gratidão – porque nasci em Portugal. Estava no céu das ideias de Platão – e escolhi Portugal para nascer.

É preciso perguntar às aldeias e vilas o tipo de município que querem construir.

Devo a Portugal ter-me “colocado fora” para ver o mundo.

Cada um é um e não há igual – todas as ideias do mundo deveriam ser para ele próprio.

Espero que um dia tudo o que é obrigatório para a produção não seja obrigatório e que seja possível que cada um possa fazer a sua obra única.

Portugal fez coisas que nenhum outro país fez – pode ser que no futuro possa repetir tais missões utópicas – que ainda não existem.

A máquina do mundo pode ter um destino para Portugal – por isso não será necessário fazer nada.

O meu destino é a minha liberdade.

Aquilo que lhe apetece fazer deverá ser o que é correto.

A idade do Espírito Santo – Em primeiro lugar, que as crianças crescessem tão livremente que a sua espontaneamente e capacidade de sonhar nunca se extinguisse e um dia fossem capazes de dirigir o mundo. Em segundo lugar, que a vida fosse gratuita para toda a gente, e como consequência o crime desaparecerá do mundo.

Sonhar para o futuro.

Ajudam-me mais as pessoas que criticam do que as que aplaudem.

Não sou otimista – sou é determinado naquilo que me apetece ser determinado.

É melhor que vida seja uma ficção, mais do que escrever ficção.

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