Conversas Vadias Episódio 1 – Agostinho da Silva com Maria Elisa

Data da publicação: 8 de março de 1990

Tempo de leitura: 4 minutos

Hoje, a maior parte dos alunos têm de aguentar professores a quem não perguntaram coisa nenhuma.

O problema está no mundo competitivo.

Economia – estamos numa guerra perfeita – guerra contra a carência.

As pessoas julgam que estão em paz no mundo – mas não – estamos na guerra da carência.

Não existe ainda uma forma diferente da economia de competitividade.

Os meninos, melhor que nós, já sabem que muitas das coisas que aprendem da escola não servem para nada.

Os meninos já nascem reformados – vai haver tanta máquina que não vai haver trabalho para eles.

Toda a gente que nasce, nasce inventor e poeta – inteiramente individual.

Ao invés de fazer poesia – seguimos uma vida militar.

Uma forma de poesia é a vadiagem.

Nessa coisa de perguntas e respostas a imaginação está do lado da pessoa que pergunta – a resposta vem automaticamente logo que a pergunta aparece.

Lei do afastamento das galáxias – quanto mais longe, mais depressa.

O comportamento das crianças é um aviso de algo estar mais próximo do que parece.

Tivemos de aprender um conjunto de coisas que vão ser dispensáveis.

Ler e escrever letras.

Experiência de um pedagogo checo que ensinou o que as crianças queriam aprender – não ensinou a ler nem a escrever.

Os alunos é que por vezes impunham ao professor o que ele deveria aprender.

A motivação para aprender a ler nasceu dos alunos – porque tinham um propósito.

A motivação aparece se tiver de aparecer – o que não podemos é obrigar a aprender a ler quando não tem nada para ler.

Não é preciso apenas saber ler – é necessário compreender o ler.

O que é cultura geral? Não faz sentido definir cultura geral.

Quem quiser entrar na universidade deveria poder entrar na universidade. Sem exames de ingresso.

Recusou dar subsídios aos artistas em Santa Catarina no Brasil – mais do que a arte, pintura e outros – é necessário garantir a cultura básica da vida (costura, culinária, etc) que também é cultura. Para a cultura da arte acontecer, a outra tem de acontecer primeiro.

A cultura começa por todas as pessoas terem para comer o que devem ter para comer e por ter uma casa, e depois é que começam a ter interesses culturais.

Os 3 esses essenciais:
Sustento
Saber

Saúde

O que é que querem aprender? Só pode acontecer depois do sustento.

A escola por enquanto tem de ser uma escola mista:

Academia militar – por um lado aprender uma arma, uma profissão.
Ensino que faz com que se criem os poetas à solta – os reformados.

O homem não nasce para trabalhar – nasce para criar.

O objetivo no mundo é haver uma reforma para toda a gente.

Não tem número de contribuinte – não quer ter com Portugal nenhum conflito.

Portugal vai ser um dos países condutor do mundo.

As instituições são temporárias.

As pessoas procuram-me porque elas vêm do lado de fora dito o que sempre pensaram do lado de dentro.

Os processos de educação reprimem.

As turmas de alunos não fazem perguntas.

Os alunos podem deixar os professores desconfortáveis pelas questões que fazem – ao ponto de o professor não saber responder e não ter a capacidade de dizer que não sabia.

Sirvo enquanto sinto que posso ser útil.

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