On Writing Well, de William Zinsser

Titulo do livro em PT: (não encontrado)
Nome do Autor: William Zinsser
A minha pontuação: 2/5
Data da publicação: 1976
Tempo de leitura: 8 minutos
 

Escrita e desordem

A essência de escrever é reescrever. Só porque estão a escrever fluentemente não significa que estão a escrever bem.
Estabelecer um horário diário e cumpri-lo.
Desnuda cada frase ao seu componente mais limpo.
Limpa a desordem da tua cabeça. Pensamento claro torna-se em escrita clara; um não consegue existir sem o outro.
Pergunta constantemente: Que estou a tentar dizer? E depois pergunta: consegui dizê-lo?
Poucas frases saem corretas à primeira, ou até a terceira vez.
Examina cada palavra: um número surpreendente não tem qualquer propósito.
Um escritor fará qualquer coisa para evitar o ato de escrever.
Escreve na primeira pessoa.
Se te divertir durante o ato de escrever, inclui no texto. (podes sempre remover mais tarde).
Agrada-te a ti mesmo, e agradarás os leitores.
Palavras inesperadas, mas refrescantes.
É falha do escritor tentar alcançar apenas o cliché mais próximo, aprendido por ler o tipo de escrita que eu quero fazer e tentando perceber como o fizeram.
O léxico é para o escritor o que o dicionário de rimas é para o compositor (de músicas) – um lembrete de todas as escolhas.
Os Elementos de Estilo, um livro que todos os escritores deviam ler uma vez por ano.
Lê tudo em voz alta antes de publicares.
A única maneira de aprender a escrever é forçares-te a produzir um determinado número de palavras regularmente.
Toda a escrita é no fim de contas uma questão de resolver um problema.
Unicidade é a âncora da boa escrita. Unicidade de pronomes. Unicidade da frase. Unicidade de disposição.
 

Não ficção e frases

Toda a obra não ficcional de sucesso deve deixar o leitor com um pensamento provocativo que ele ou ela não tinha antes de ler. Não dois pensamentos, ou cinco – só um.
A frase mais importante em qualquer artigo é a primeira. Se não induzir o leitor em prosseguir para a segunda frase, o teu artigo está morto. E se a segunda frase não o induzir a continuar para a terceira, o artigo está igualmente morto.
A tua abertura tem de cativar o leitor imediatamente e forçá-lo a manter a leitura. Tem de persuadi-lo com frescura, ou novidade, ou paradoxo, ou humor, ou surpresa, ou com uma ideia não usual, ou um facto interessante, ou uma pergunta.
Detalhes sólidos que dizem ao leitor o porquê de a peça ter sido escrita e porque deve ser lida.
Cada parágrafo deve amplificar o que o precede.
Tem especial atenção com a última frase de cada paragrafo – é a plataforma crucial para o próximo parágrafo. Tenta dar a essa frase uma reviravolta extra de humor ou surpresa.
Faz o leitor sorrir e ele ficará para mais um parágrafo.
A salvação muitas vezes está, não no estilo do escritor, mas num facto incomum que ele ou ela descobriram.
Eu recolho mais material do que aquilo que vês.
Não percas tempo a preparar o palco…
Pondera com a mesma importância que deste à tua primeira frase, a escolha da tua última.

O final

Sumarizas porque pensas que são demasiado burros para perceber?
Uma boa frase final – ou último paragrafo – é um prazer em si. Dá ao leitor uma sensação de elevação e perdura mesmo depois do artigo acabar.
O fim perfeito deve apanhar os leitores ligeiramente de surpresa, mas parecer exatamente correto. De forma a que não esperassem que acabasse tão cedo ou abruptamente ou que fosse dito o que foi.
Faz com que verbos ativos ativem as tuas frases, evitando o tipo que precisa de uma preposição anexada para completar o trabalho. Não prepares um negócio que não se consegue iniciar ou lançar. Não digas que o presidente da companhia resignou o cargo. Demitiu-se? Foi despedido? Se preciso, usa verbos precisos.

Adjetivos

A maioria dos adjetivos: o conceito já está no substantivo.
Apara “um pouco”, “um bocadinho”, “tipo”, “mais ou menos”, “envés”, “bastante”, “muito”, “também”, “basicamente isso”.
Todo o pequeno qualificativo afasta uma fração da confiança do leitor.
Alerta o leitor, assim que possível, de qualquer mudança de humor relativamente à frase prévia. “Mas”, “ainda”, “porém”, “não obstante”, “envés”.
Frases mortas: O leitor não consegue visualizar ninguém a fazer a atividade;
Um dos problemas difíceis numa frase pode ser resolvido simplesmente por remover a dita frase.
Parágrafos Anões (pequeno) – Maravilhas sem verbos – escritos por jornalistas modernos para fazerem os seus artigos “rápidos e fáceis”. Na realidade dificultam o trabalho do leitor ao cortarem a linha de raciocínio natural.
Condescendente e disruptivo. “Yoo-hoo! Olha o quanto estou a fazer isto fácil para ti!”
Um bom escritor de não ficcional pensa em unidades de parágrafo, não em unidades de frase.
Não gosto de escrever; mas adoro reescrever.
 

Demasiadas explicações

Não aborreças os leitores com demasiadas explicações – dizendo algo que provavelmente já sabem ou conseguem desvendar. Tenta não usar parlavas como “surpreendente”, “previsivelmente” e “certamente/claro” que atribuem valor a um facto antes do leitor encontrar o facto. Confia no material que tens.
Imita outro escritor.
Descobre os melhores escritores e lê o seu trabalho em voz alta.
Escritores que escrevem com interesse mantêm-se interessados. Uma vida interessante e uma educação contínua.
Uma das habilidades menos ensinadas e subestimadas em escrita não ficcional é como organizar um longo artigo: como resolver o puzzle.
Ninguém consegue escrever um artigo decente sobre o desaparecimento de pequenas cidades em Iowa; seria generalizado e sem humanidade. O escritor teria de escrever sobre uma pequena cidade em Iowa e daí contar uma história maior. E mesmo dentro dessa pequena cidade a história teria de ser mais focada: sobre uma loja, uma família ou um agricultor.

Frases simples

Frases simples e declarativas, sem uma virgula a vista. Cada frase contém um pensamento – e só um.
Muita da dificuldade em que os escritores se metem origina do tentarem que uma frase faça demasiado trabalho.
Agora, que querem os leitores saber a seguir? Pergunta a ti mesmo isto após cada frase.
“Este artigo é realmente sobre o quê?” (e não apenas “este artigo é sobre o quê?”).
Os leitores devem sempre sentir que sabes mais sobre o assunto do que escreveste.
Escreve de forma a entreter o mais possível.
Escritores devem pensar em si como parte animadores.
Realça a tua peça tornando-a mais alegre que a dos outros. Isto significa dar ao leitor uma surpresa agradável.
Para escrever melhor que os outros, é preciso querer escrever melhor que os outros. Tens de ter um orgulho obsessivo nos mais pequenos detalhes da tua obra.
 
Podes subscrever a minha newsfeed aqui
Também poderás gostar de ler: Words That Work, de Frank Luntz