O momento em que descobri que era especialista em coisa nenhuma

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Sim, foi um momento constrangedor. Sabem aquele momento em que vos cai a ficha? Exatamente, esse mesmo.

Nunca fez tanto sentido a expressão de Sócrates: “Só sei que nada sei.”

Uma das mais interessantes e simultaneamente mais desafiantes conclusões a que cheguei é que fiz a escolha de me tornar especialista em coisa nenhuma. E existe algo a fazer em relação a isso? Não.

Olhando para o meu passado, passei 8 anos da minha vida (3 Secundário + Mestrado) a tentar tornar-me um Engenheiro Electrotécnico. E mesmo durante esses 8 anos eu não estava a fazer ações de eletrónica. Eu estava a fazer muitas outras coisas. Coisas mais importantes para mim.
E desde que saí da universidade, depois de 8 anos dedicados a eletrónica, tenho a sensação estranha que me distanciei de tudo aquilo, que já nada sei, e o que faço hoje ajuda-me a crescer do ponto de vista pessoal e profissional. Mais do que cresceria se tivesse continuado com a eletrónica.

Não faço a mínima ideia do que estou a fazer.

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— Fernando Moreira (@Fernand0Moreira) 20 agosto 2015

Ser um especialista em coisa nenhuma é muito difícil e desgastante. Mais do que aquilo que pensava.
Existem muitas tarefas e funções para fazer e muitas vezes nunca sei como fazê-lo. Além disso, muitas pessoas contam comigo porque sinto que às vezes olham-me pensando que é suposto eu saber tudo. É suposto ser o especialista em coisa nenhuma e ao mesmo tempo saber tudo. Contraditório, não?

Quando começamos, temos zero experiência a gerir pessoas, a falar com clientes, a criar parcerias, a contratar, etc. Quando começamos a sentir que já nos enquadramos bem no que estamos a fazer, é exatamente nesse momento que contratamos uma pessoa para nos substituir, e nós despedimo-nos a nós mesmos.

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